Um cadim de tudo que gosto, música, literatura, fotografia e outras coisinhas que me fazem feliz....
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
“Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...
Eduardo Galeano in O Livro dos Abraços
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Querer predizer o futuro (profetizar) e querer ouvir a necessidade
do passado são uma única e mesma coisa, e é apenas um problema de gosto se
determinada geração acha uma coisa mais plausível que a outra.
(...) O distanciamento no tempo engana o sentido do espírito tal como o afastamento no espaço provoca o erro dos sentidos. O contemporâneo não vê a necessidade do que vem a ser, mas, quando há séculos entre o vir a ser e o observador, este vê então a necessidade, tal como aquele que vê à distância o quadrado como redondo.
(...) Tudo o que é histórico é contingente, pois justamente pelo fato de acontecer, de se tornar histórico, recebe o seu momento de contingência, pois a contingência é precisamente o único fator de tudo o que vem a ser.
Soren Kierkegaard, in 'Migalhas Filosóficas'
(...) O distanciamento no tempo engana o sentido do espírito tal como o afastamento no espaço provoca o erro dos sentidos. O contemporâneo não vê a necessidade do que vem a ser, mas, quando há séculos entre o vir a ser e o observador, este vê então a necessidade, tal como aquele que vê à distância o quadrado como redondo.
(...) Tudo o que é histórico é contingente, pois justamente pelo fato de acontecer, de se tornar histórico, recebe o seu momento de contingência, pois a contingência é precisamente o único fator de tudo o que vem a ser.
Soren Kierkegaard, in 'Migalhas Filosóficas'
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada Apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles…mataram um terrorista!
Mahmoud Darwish
(15 Março 1941 – 9 Agosto 2008)
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada Apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles…mataram um terrorista!
Mahmoud Darwish
(15 Março 1941 – 9 Agosto 2008)
“Qualquer
caminho é apenas um caminho e não constitui insulto algum - para si mesmo ou
para os outros - abandoná-lo quando assim ordena o seu coração. (…) Olhe cada
caminho com cuidado e atenção. Tente-o tantas vezes quantas julgar necessária…
Então, faça a si mesmo e apenas a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um
coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não
possui importância alguma.”
-
Carlos Castañeda in: Os Ensinamentos de Don Juan
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
"O
que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma
e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu
fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que
escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e
silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que
ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção." - Rubem Alves
domingo, 10 de fevereiro de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
“Devíamos poder preparar os nossos sonhos como os artistas, as suas composições.
Como a matéria sutil da noite e da nossa alma, devíamos poder construir essas
pequenas obras-primas incomunicáveis, que, ainda menos que a rosa, duram apenas
o instante em que vão sendo sonhadas, e logo se apagam sem outro vestígio que a
nossa memória. Como quem resolve uma viagem, devíamos poder escolher essas
explicações sem veículos nem companhia, por mares, grutas, neves, montanhas e
até pelos astros, onde moram desde sempre heróis e deuses de todas as
mitologias, e os fabulosos animais do Zodíaco. Devíamos, à vontade, passear
pelas margens do Paraíba, lá onde suas espumas crespas correm com o luar por
entre as pedras, ao mesmo tempo cantando e chorando. Ou habitar uma tarde
prateada de Florença, e ir sorrindo para cada estátua dos palácios e das ruas,
como quem saúda muitas famílias de mármore... Ou contemplar nos Açores
hortênsias da altura de uma casa, lagos, de duas cores e cestos de vime nascendo
entre fontes, com águas frias de um lado e, do outro, quentes... Ou chegar a
Ouro Preto e continuar a ouvir aquela menina que estuda piano há duzentos anos,
hesitante e invisível, enquanto o cavalo branco escolhe, de olhos baixos, o
trevo de quatro folhas que vai comer. Quantos lugares, meu Deus, para essas
excursões! Lugares recordados ou apenas imaginados. Campos orientais
atravessados por nuvens de pavões. Ruas amarelas de pó, amarelas de sol, onde os
camelos de perfil de gôndola estacionam, com seus carros. Avenidas cor-de-rosa,
por onde cavalinhos emplumados, de rosa na testa e colar ao pescoço, conduzem
leves e elegantes coches policromos ... E lugares inventados, feitos ao nosso
gosto; jardins no meio do usar; pianos brancos que tocam sozinhos; livros que se
desarmam, transformados em música [...] E sonhar com os que amamos e conhecemos,
e estão perto ou longe, vivos ou mortos... Sonhar com eles no seu melhor
momento, quando foram mais merecedores de amor imortal... Ah!... - (que gostaria
você de sonhar esta noite?)” Cecilia Meireles
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
"Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é
muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se
dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é
contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar
que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada
paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas
prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que
alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de
esperanças. Ou de utopias." Jose Saramago
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque não me aceito a sério
Porque só sou essa cousa odiosa, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma...
- Alberto Caeiro
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque não me aceito a sério
Porque só sou essa cousa odiosa, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma...
- Alberto Caeiro
sábado, 2 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
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