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domingo, 26 de agosto de 2012

"Pode me tirar a compreensão, o perdão, os ossos contados como dias nas paredes da carne. Pode me tirar o egoísmo e a paixão, a cultura que adquiri às pressas, a serenidade para julgar, a severidade do combate. Podes me tirar as metáforas,
a fuga, minha saída do sangue. Pode me tirar os excessos do mínimo, o idioma, meu receio de ficar sozinho. Pode me tirar o colo, a sesta, a audição das escadas. Podes me tirar o desejo e pôr a inquietação em seu lugar. Pode me tirar a liberdade que confundi com justiça porque nenhuma das duas se conheceu a tempo. Não há castigo infinito. Não há dor infinita. Um dia a gente termina para começar, começa para terminar, refaz o percurso como se nada tivesse acontecido antes. Deixe-me apenas uma cadeira de palha, amarela, para olhar com piedade o que fui e me deslumbrar com as ruínas".Fabricio Carpinejar 
 
 Vincent van Gogh, A Cadeira Amarela, 1888

terça-feira, 22 de maio de 2012

‎" Abraço tem que ter pegada, jeito, curva. Aperto suave, que pode virar colo. Alento tenso, que pode virar despedida. Abraço é confissão. Abraço não pode ser rápido senão é empurrão. Requer cruzamento dos braços e uma demora do rosto no linho. Abraço é para atravessar o nosso corpo.
.Fabrício Carpinejar

domingo, 20 de maio de 2012


"Felicidade é um clarão que nos ajuda a suportar o escuro. Relampeja, olhamos onde estão as coisas e seguimos tateando com mais facilidade." Fabrício Carpinejar

terça-feira, 25 de outubro de 2011


"A vida amou a morte
mais do que havia
para morrer."

Fabrício Carpinejar In: ‘As Solas do Sol’

Fazer as coisas pela metade
é minha maneira de terminá-las.

Fabrício Carpinejar In: ‘Cinco Marias’

quarta-feira, 3 de agosto de 2011



“Os olhos têm gula, fome de gesto. Entre a paisagem e o pensamento, há muita distância e distensão. Poucas verdades sobrevivem neste trajeto.”

Fabrício Carpinejar

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"O amor tem uma consciência louca do futuro, de fazer passado com o futuro. A paixão vive fora do tempo. O amor vive no tempo porque deixa rastros. Paixão se esquece, e amor nem enterrando acaba."

[Fabrício Carpinejar]

quinta-feira, 14 de abril de 2011

“Os olhos têm gula, fome de gesto. Entre a paisagem e o pensamento, há muita distância e distensão. Poucas verdades sobrevivem neste trajeto.”

Fabrício Carpinejar

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 21 de setembro de 2010


Os olhos têm gula, fome de gesto. Entre a paisagem e o pensamento, há muita distância e distensão. Poucas verdades sobrevivem neste trajeto.”

Fabrício Carpinejar
Em entrevista a José Félix em Julho de 2002 (Excertos)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"(...) Já descobriram a intimidade, a empatia, as afinidades, mas há o medo de apressar. Mas há também o medo de demorar. Como é difícil acertar o ritmo de fora com o ritmo de dentro. O abraço serve para apartar o excesso de palavras(...) A indefinição é que faz o amor permanecer ou ir embora."

[Fabrício Carpinejar]

sábado, 17 de julho de 2010


"O amor é procurar cabelos para completar as mãos, é procurar o que não se viveu para contar. É esperar o sol aquecer o lado ileso da cama. É não apagar direito a ausência, a letra, o cheiro. É insistir com respostas sem as perguntas. Adiar o amor ainda é cumpri-lo. Fingir que não se sente é exercê-lo. O amor devora os sobreviventes. Não lembra do pente, da navalha, da tesoura de unhas, do jornal, do abajur. O amor não lembra do que precisa. Amor é não precisar de nada. É precisar do que acontece depois do nada, ainda que não aconteça. O amor confunde para se chegar ao mistério. Embaralha para não se ouvir. Perde-se no próprio amor a capacidade de amar. Amor é comer a fruta do chão. O chão da fruta. O amor queima os papéis, os compromissos, os telefones onde havia nomes. O amor não se demora em versos, se demora no assobio do que poderia ser um verso. O amor é uma amizade que não foi compreendida, uma lealdade que foi quebrada. O amor é um desencontro por dentro."

Fabrício Carpinejar