Powered By Blogger
Mostrando postagens com marcador Carlos Rodrigues Brandão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Rodrigues Brandão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de julho de 2014

sobre a eternidade
I
ali, naquela ponte
passa um rio.
passa, e ele sabe
que ela passa e
ele fica. eterno
como um rio.
II
etérea como
um beija-flor
a vida é,
entanto, eterna:
como a flor.
III
as tuas águas
são: águas nascendo
como as águas que
não nasceram ainda.
tão claras que nem
parecem vivas.
tão vivas que nem
parecem infindas.
Carlos Rodrigues Brandão

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"senão quando
uma inesperada desconhecida substância desta tarde: algo entre a sonata e o fim não sugere entretanto, sequer e agora o recurso fácil de um pôr-de-sol em abril. A luz da noite não corrompe o instante em que à brisa parece dado o ensejo de varrer da praça folhas e juízes. não sei o que dizer, não sei, em hora assim pois me faltam fadas e duendes. estou só e não me bastam Cristo e a Primavera. Digo palavras sonoras, como: “outrora”, mas de nada elas nos salvam, nem de nós. No pio dos sabiás há uma rara beleza e ouvi-los seria o Evangelho. eis tudo, amigos, e é só e é tanto e logo o relógio sem corda em cada um de nós baterá as seis horas, sete vezes."
Carlos Rodrigues Brandão in: Sacerdotes de viola