Um cadim de tudo que gosto, música, literatura, fotografia e outras coisinhas que me fazem feliz....
Mostrando postagens com marcador Guimaraes Rosa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guimaraes Rosa. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
"Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo." (Guimarães Rosa)
sexta-feira, 31 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
Roseando
"Cada um rema sozinho uma canoa que navega um rio diferente, mesmo parecendo que esta pertinho." Guimarães Rosa
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
" Ah, o tempo é o mágico de todas as traições… E os próprios olhos, de cada um de nós, padecem viciação de origem, defeitos com que cresceram e a que se afizeram, mais e mais. Por começo, a criancinha vê os objetos invertidos, daí seu desajeitado tatear; só a pouco e pouco é que consegue retificar, sobre a postura dos volumes externos, uma precária visão. Subsistem, porém, outras pechas, e mais graves. Os olhos, por enquanto, são a porta do engano; duvide deles, dos seus, não de mim. Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz frincha para rir-se da gente… E então?”
—
|
Guimarães Rosa - O Espelho.
|
terça-feira, 5 de junho de 2012
quinta-feira, 3 de maio de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
"Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra." (Guimarães Rosa)
sábado, 10 de março de 2012
Roseando
"Querendo procurar,
nunca não encontra. De repente, quando a gente não espera, o sertão vem. Posso
me esconder de mim? Eu queria e não queria ouvir. Não adianta se dar as costas:
se sonha, já se fez. O sertão vem e volta. Explico: o diabo vige dentro do
homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos.
Medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor
não vê? Vida muito esponjosa. Careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que
dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do
bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados... esse
mundo é muito misturado. O sertão é confusão em grande demasiado sossego. Um
feio mundo, exagerado. O chão sem se vestir. Tudo aqui é perdido, tudo aqui é
achado. Eu sem segurança nenhuma, só as dúvidas, e nem soubesse o que tinha de
fazer.
Eu já achava que a vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho. Era o que eu acho, é o que eu achava. Ser dono definitivo de mim, era o que eu queria, queria. Existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. A gente quer se afastar de si próprio... pra isso é que o muito se fala. O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo, demais. " Guimarães Rosa in: Grande Sertão Veredas
Eu já achava que a vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho. Era o que eu acho, é o que eu achava. Ser dono definitivo de mim, era o que eu queria, queria. Existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. A gente quer se afastar de si próprio... pra isso é que o muito se fala. O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo, demais. " Guimarães Rosa in: Grande Sertão Veredas
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Roseando...
sábado, 12 de novembro de 2011
" Tem horas que eu penso que a gente carecia de repente, de acordar de alguma espécie de encanto. As pessoas, e as coisas, não são de verdade. E de que é que,a miúde, a gente adverte incertas saudades? Será que, nós todos, as nossas almas já vendemos? Bobéia, minha. E como é que havia de ser possível? Hein? "Guimarães Rosa In: Grande Sertão Veredas
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Roseando...
terça-feira, 18 de outubro de 2011
"O senhor é de fora, meu amigo mas meu estranho. Mas, talvez por isto mesmo. Falar com o estranho assim, que bem ouve e logo longe se vai embora, é um segundo proveito: faz do jeito que eu falasse mais mesmo comigo. O senhor escute, me escute mais do que eu estou lhe dizendo. Mire veja: o que é ruim, dentro da gente, a gente perverte sempre por arredar mais de si. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas – de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora, acho que nem não. Quanto mais remoto aquilo reside, a lembrança demuda de valor – se transforma, se compõe, em uma espécie de decorrido formoso. Por que era que eu estava procedendo assim? Senhor, sei? Sei que me desconheci. Ah, ânsia que não queria o que de certo queria. O senhor vá pondo seu perceber. Razão por que fiz? Sei ou não sei. De ás, eu pensava claro, acho que de bês não pensei não... aí a confusão e desordem e altos desesperos. O sertão tonteia."
Guimaraes Rosa In: Grande Sertão Veredas
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
"O que era isso, que a desordem da vida podia sempre mais do que a gente? O real roda e põe diante. Homem, sei? A vida é muito discordada. Tem partes, tem artes. A gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais em baixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Requeria era sarar, não desejava Céu nenhum. As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – no que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa. Atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Sertão é onde os pastos carecem de fechos. Quero o outro perto, eu distante de mim. Hoje em dia eu nem sei o que sei, e, o que soubesse, deixei de saber o que sabia. A gente só sabe bem aquilo que não entende. Meu coração é que entende, ajuda minha idéia a requerer e traçar. "
João Guimarães Rosa In:Grande sertão: veredas
João Guimarães Rosa In:Grande sertão: veredas
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
"Estou contando ao senhor, que carece de um explicado. Pensar mal é fácil, porque esta vida é embrejada. A gente vive, eu acho, é mesmo para se desiludir e desmisturar. A senvergonhice reina, tão leve e leve pertencidamente, que por primeiro não se crê no sincero sem maldade.Está certo, sei. Mas ponho minha fiança: homem muito homem que fui, e homem por mulheres! - nunca tive inclinação pra aos vícios desencontrados. Repilo o que, o sem preceito. Então - o senhor me perguntará - o que era aquilo? "
Guimarães Rosa In: Grande Sertão Veredas
terça-feira, 6 de setembro de 2011
"...Sou só um sertanejo, nessas altas idéias navego mal. Sou muito pobre coitado. Inveja minha pura é de uns conforme o senhor, com toda leitura e suma doutoração. Não é que eu esteja analfabeto. Soletrei, anos e meio, meante cartilha, memória e palmatória. Tive mestre, Mestre Lucas, no Curralinho, decorei gramátic, as operações, regra-de-três, até geografia e estudo pátrio. Em folhas grandes de papel, com capricho tracei bonitos mapas. Ah, não é por falar: mas, desde o começo, me achavam sofismado de ladino. E que eu merecia de ir para cursas latim, em Aula Régia - que também diziam. Tempo saudoso! Inda hoje, apreceio um bom livro, despaçado. Na fazenda O Limãozinho, de um meu amigo Vito Soziano, se assina desse almanaque grosso, de logogrifos e charadas e outras divididas matérias, todo ano vem. Em tanto, ponho primazia é na leitura proveitosa, vida de santo, virtudes e exemplos - missionário esperto engambelando os índios, ou São Francisco de Assis, Santo Antônio, São Geraldo...Eu gosto muito de moral. Raciocinar, exortar os outros para o bom caminho, aconselhar a justo...O senhor saiba: eu toda a minha vida pensei por mim, forro, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo o mundo...Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa..."
Guimarães Rosa In: "Grande Sertão: Veredas"
Guimarães Rosa In: "Grande Sertão: Veredas"
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)






