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Mostrando postagens com marcador Rubem Alves. Mostrar todas as postagens
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sábado, 19 de julho de 2014

"O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem."
"Rubens Alves in: "Entre a ciência e a sapiência: O dilema da educação"
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila.  Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção." - Rubem Alves

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rubens Alves, pra começar a semana:

Eu gostaria de ser muitas coisas que não tive tempo e competência para ser. A vida é curta e as artes são muitas. Gostaria de ser pianista, jardineiro, artista de ferro e vidro - talvez monge. E gostaria de ter sido um cozinheiro.

(...)Faz tempo, num espaço meu, eu gostava de reunir casais amigos uma vez por mês para cozinhar. Não os convidava para jantar. Convidava para cozinhar. A festa começava cedo, lá pelas seis da tarde. E todos se punham a trabalhar, descascando cebola, cortando tomates, preparando as carnes. Dizia Guimarães Rosa: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." Comer é a chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o nosso maior prazer. A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos, rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia. Naqueles tempos o que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.

Sinto-me feliz cozinhando. Não sou cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro... Você já ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras.

(Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000)

domingo, 16 de setembro de 2012

"Somos assim. Sonhamos o vôo mas tememos as alturas. Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas,mas é isto que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram."
 

Rubem Alves

domingo, 9 de setembro de 2012


"A vida é assim: "a gente escolhe um caminho na esperança de que ele vá nos conduzir a um lugar de alegria . Tolos, pensamos que a alegria está no final do caminho. E caminhamos distraídos, sem prestar atenção. Afinal de contas, caminho é só caminho, passagem, não é o ponto de chegada. Com frequência, a gente não chega lá, porque morre antes. Mas há uns poucos que chegam ao lugar sonhado só para descobrir que a alegria não mora lá. Caminharam sem compreender que a alegria não se encontra ao final, mas às margens, ao longo do caminho que percorremos para encontrá-la"!  Rubem Alves

segunda-feira, 12 de março de 2012





 “Nas saudades de Minas os ipês florescem...”.
O ipê é a eternidade amarela das Minas Gerais que parte sempre e volta sempre." Rubem Alves

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Plantei árvores, tive filhos, escrevi livros, tenho muitos amigos e, sobretudo, gosto de brincar. Que mais posso desejar? Se eu pudesse viver minha vida novamente, eu a viveria como a vivi porque estou feliz onde estou."
Rubem Alves

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cliquei o botão do controle remoto da televisão e me vi dentro de um enorme templo, completamente lotado. O pregador dizia aos fiéis: “A dúvida é a principal arma do diabo”. Ele não teve coragem de dizer tudo o que essa afirmação piedosa contém. Se ele está no púlpito, lugar sagrado, deve ser o bispo ou missionário. Sendo bispo ou missionário, tem acesso privilegiado a Jesus: o Peixe Dourado lhe revelou pessoalmente os mistérios do Mar… Fala diariamente com Jesus. Segue-se que aquilo que ele fala são palavras de Jesus. Assim, se alguém tem dúvidas sobre o que ele diz, está duvidando de Jesus. Conclusão: quem duvida do que ele diz está enredado nas artimanhas do diabo… Penso o contrário: que as convicções são as principais armas do diabo. As maiores atrocidades da história da humanidade, religiosas e políticas, foram cometidas por pessoas que não tinham dúvidas sobre a verdade dos seus pensamentos. As pessoas que duvidam, ao contrário, são tolerantes. Sabem que o que pensam não é a verdade. Seus pensamentos são meros “palpites”. Por isso ouvem o que outros têm a dizer, pois pode ser que a verdade esteja com eles… (Rubem Alves in Pensamentos que penso quando não estou pensando

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"Não foi à toa que Adélia Prado disse que "erótica é a alma". Enganam-se aqueles que pensam que erótico é o corpo. O corpo só é erótico pelos mundos que andam nele. A erótica não caminha segundo as direções da carne. Ela vive nos interstícios das palavras. Não existe amor que resista a um corpo vazio de fantasias. Um corpo vazio de fantasias é um instrumento mudo, do qual não sai melodia alguma. Por isso, Nietzsche disse que só existe uma pergunta a ser feita quando se pretende casar: "continuarei a ter prazer em conversar com esta pessoa daqui a 30 anos?" Rubem Alves

terça-feira, 22 de novembro de 2011

"Eu também terei saudades, ..."
"Mas eu vou lhe contar um segredo:
as plantas precisam da água,
nós precisamos do ar,
os peixes precisam dos rios...
E o meu encanto precisa da saudade.
É aquela tristeza, na espera da volta,
que faz com que as minhas penas
fiquem bonitas.
Se eu não for não haverá saudade.
Eu deixarei de ser um pássaro encantado.
E você deixará de me amar."
Rubens Alves

sábado, 22 de outubro de 2011


“Quero viver enquanto estiver acesa, em mim, a capacidade de me comover diante da beleza. Essa capacidade de sentir alegria é a essência da vida.”

[Rubem Alves]

"Magia é isto: invocar o que se foi, mas que continua a nos habitar.Ou será poesia?"

(Rubem Alves)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"Você não entende porque a gente chora diante da beleza? A resposta é simples. Ao contemplar a beleza, a alma faz uma súplica de eternidade. Tudo o que a gente ama a gente deseja que permaneça para sempre. Mas tudo o que a gente ama existe sob a marca do tempo. Tudo é efêmero. Efêmero é o por do sol, efêmera é a canção, efêmero é o abraço, efêmera é a casa construída para o resto da vida. A gente chora diante da beleza porque a beleza é uma metáfora da própria vida."

Rubem Alves

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pai-Nosso… Mãe-Nossa…
Pai… Mãe… de olhos mansos, sei que estás invisível em todas as coisas.
Que o teu nome me seja doce, a alegria do meu mundo.
Traze-nos as coisas boas em que tens prazer:
o jardins, as fontes, as crianças, o pão e o vinho, os gestos ternos, as mãos desarmadas, os corpos abraçados…
Sei que desejas dar-me o meu desejo mais fundo, desejo cujo nome esqueci… mas tu não esqueces nunca.
Realiza pois o teu desejo para que eu possa rir.
Que o teu desejo se realize em nosso mundo, da mesma forma como ele pulsa em ti.
Concede-nos
contentamento nas alegrias de hoje: o pão, a água, o sono… Que nossos
olhos sejam tão mansos para com os outros como os teus o são para
conosco.
Porque, se formos ferozes, não poderemos acolher a tua bondade.
E ajuda-nos para que não sejamos enganados pelos desejos maus.
E livra-nos daquele que carrega a morte dentro dos próprios olhos.
Amém.

Rubem Alves

quarta-feira, 1 de junho de 2011


“Somos assim: sonhamos o voo mas tememos a altura . Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos voos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam...” Rubens Alves

sábado, 4 de dezembro de 2010


"Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de deus. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!"
Rubem Alves

sexta-feira, 1 de outubro de 2010


"Sabe por que o pôr-do-sol é belo? Porque ele é uma parábola do que somos, da nossa vida: imensamente belo em suas cores, imensamente triste em seu adeus. Toda Beleza é triste como o pôr-do-sol. Mas ela é verdadeira: porque somos assim, seres crepusculares, belos e tristes como o sol que se põe..."
Rubem Alves

quinta-feira, 23 de setembro de 2010



"E o Vento se fez Evento,
O afeto se fez feto...
Quando as plantas florescem na primavera, ali os homens escrevem os seus nomes."