Um cadim de tudo que gosto, música, literatura, fotografia e outras coisinhas que me fazem feliz....
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sábado, 27 de julho de 2013
Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez.
Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.
MIA COUTO, in: JESUSALÉM
terça-feira, 11 de junho de 2013
para quem sou
e jamais chego ao destino.
No caminho do ser
meu gozo é me perder.
Meu coração só tem morada
onde se acende um outro peito.
Meu anjo está cego,
meu poeta está mudo,
meu guru ficou amnésico.
O poeta
sabia que não ia por ali.
Eu vou por onde não sei.
Meu aqui
é sempre além.
MIA COUTO in: "Idades Cidades Divindades",
quinta-feira, 6 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
sábado, 29 de outubro de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Meus Julhos
1. Sou julho,
estou explicado só pelo sol
Meu erro
é procurar um território
apto a nascer
A única geografia
que me aceita é a poesia
Como a chuva
que repousa entre nuvem e terra
me escrevo
na ausência de todas as línguas
2. Me esqueço-me:
só me falto eu
para ficar todo só
3. Antes de nascer
já eu tinha envelhecido tudo
Por isso,
não me espanta
o casal de pedras
nem a árvore que engravidou
Minha doença,
felizmente,
é muito miraculável.
Mia Couto in: Raiz de Orvalho e Outros Poemas
1. Sou julho,
estou explicado só pelo sol
Meu erro
é procurar um território
apto a nascer
A única geografia
que me aceita é a poesia
Como a chuva
que repousa entre nuvem e terra
me escrevo
na ausência de todas as línguas
2. Me esqueço-me:
só me falto eu
para ficar todo só
3. Antes de nascer
já eu tinha envelhecido tudo
Por isso,
não me espanta
o casal de pedras
nem a árvore que engravidou
Minha doença,
felizmente,
é muito miraculável.
Mia Couto in: Raiz de Orvalho e Outros Poemas
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
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