Powered By Blogger
Mostrando postagens com marcador Hilda Hilst. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hilda Hilst. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de abril de 2013



"Como me sinto? Como se colocassem dois olhos sobre uma mesa e dissessem a mim , a mim que sou cego : isso é aquilo que vê , essa é a matéria que vê . Toco os dois olhos sobre a mesa , lisos , tépidos ainda , arrancaram há pouco, gelatinosos , mas não vejo o ver . É assim o que sinto tentando materializar na narrativa a convulsão do meu espírito , e desbocado e cruel , manchado de tintas , essas pardas escuras do não saber dizer , tento amputado conhecer o passo , cego conhecer a luz , ausente de braços tento te abraçar."
Hilda Hilst

domingo, 25 de março de 2012


"eu sempre me fascinei com o matemático indiano srinivasa ramanujan. ele dizia que para resolver seus intricados teoremas era movido apenas pela beleza das equações.
na poesia também é assim. É uma espécie de exercício do não-dizer, mas que nos dilata de beleza quando acabamos de ler um poema." (Hilda Hilst)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Para tua fome
Eu teria colocado meu coração
Entre os ciprestes e o cedro
E tu o encontrarias
Na tua ronda de luta e incoesão:
A ronda que te persegues.

Para a tua sede
As nascentes da infância:
Um molhado de fadas e sorvetes.
E abriria em mim mesma
Uma nova ferida
Para tua vida.


Hilda Hilst

sábado, 8 de outubro de 2011

Uns barcos bordados
No último vestido
Para que venham comigo
As confissões, o riso
Quietude e paixão
De meus amigos.

Porque guardei palavras
Numa grande arca
E as levarei comigo

Peço uns barcos bordados
No último vestido
E vagas
Finas, desenhadas
Manso friso

Como as crianças desenham
Em azul as águas.

Uns barcos
Para a minha volta à Terra:
Este duro exercício
Para o meu espírito.


Hilda Hilst In: Da Morte. Odes Mínimas

domingo, 25 de setembro de 2011


Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.

(Hilda Hilst - "O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade")

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Se todas as tuas noites fossem minhas
Eu te daria, a cada dia
Uma pequena caixa de palavras
Coisa que me foi dada, sigilosa

E com a dádiva nas mãos tu poderias
Compor incendiado a tua canção
E fazer de mim mesma, melodia.

Se todos os teus dias fossem meus
Eu te daria, a cada noite
O meu tempo lunar, transfigurado e rubro
E agudo se faria o gozo teu.

HILDA HILST In: "Júbilo, memória, noviciado da paixão"