Um cadim de tudo que gosto, música, literatura, fotografia e outras coisinhas que me fazem feliz....
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domingo, 17 de agosto de 2014
sexta-feira, 23 de maio de 2014
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
“Na casa das palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas. As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal, esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos poetas que as olhassem, as cheirassem, as tocassem, as provassem. Os poetas abriam os frascos, provavam palavras com o dedo e então lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam, e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores. Em grandes travessas as cores eram oferecidas e cada poeta se servia da cor que estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol, azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...
Eduardo Galeano in O Livro dos Abraços
domingo, 16 de dezembro de 2012
"Um
homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir ao
céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a
vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. O mundo é isso,
revelou. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha
com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras
iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de
todas as cores. Existe gente de fogo sereno que nem percebe o vento e
gente de fogo louco que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos
bobos, não iluminam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com
tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem
chegar perto pega fogo".
Eduardo Galeano
sábado, 25 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
“No café da manhã, minhas certezas servem-se de dúvidas. E têm dias em que me
sinto estrangeiro em Montevidéu e em qualquer outra parte. Nesses dias, dias sem
sol, noites sem lua, nenhum lugar é o meu lugar e não consigo me reconhecer em
nada, em ninguém. As palavras não se parecem àquilo que dão nome, e não se
parecem nem mesmo ao seu próprio som. Então não estou onde estou. Deixo meu
corpo e saio, para longe, para lugar nenhum, e não quero estar com ninguém, nem
mesmo comigo, e não tenho, nem quero ter, nome algum: então perco a vontade de
me chamar ou de ser chamado.”
Eduardo Galeano In: 'O Livro dos abraços'
Eduardo Galeano In: 'O Livro dos abraços'
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Janela sobre as paredes
Escrito em um muro de Montevidéu: As virgens têm muitos Natais, mas nenhuma Noite Boa.
Em Buenos Aires: Estou com ome. Já comi o f.
Também em Buenos Aires: Ressuscitaremos, ainda que isso nos custe a vida!
Em Quito: Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas.
No México: Salário mínimo para o presidente, para ver o que ele sente.
Em Lima: Não queremos sobreviver. Queremos viver.
Em Havana: Tudo é dançável.
No Rio de Janeiro: Quem tem medo de viver não nasce.
Eduardo Galeano In: Palavras andantes
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Janela sobre as ditaduras invisíveis
A mãe abnegada exerce a ditadura da servidão.
O amigo solícito exerce a ditadura do favor.
A caridade exerce a ditadura da dívida.
A liberdade de mercado permite que você aceite os preços que lhe são impostos.
A liberdade de opinião permite que você escute aqueles que opinam em seu nome.
A liberdade de eleição permite que você escolha o molho com o qual será devorado.
- Eduardo Galeano In: As Palavras Andantes
A mãe abnegada exerce a ditadura da servidão.
O amigo solícito exerce a ditadura do favor.
A caridade exerce a ditadura da dívida.
A liberdade de mercado permite que você aceite os preços que lhe são impostos.
A liberdade de opinião permite que você escute aqueles que opinam em seu nome.
A liberdade de eleição permite que você escolha o molho com o qual será devorado.
- Eduardo Galeano In: As Palavras Andantes
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