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Mostrando postagens com marcador Jose Saramago. Mostrar todas as postagens
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domingo, 10 de agosto de 2014

No coração, talvez, ou diga antes:
Uma ferida rasgada de navalha,
Por onde vai a vida, tão mal gasta.
Na total consciência nos retalha.
O desejar, o querer, o não bastar,
Enganada procura da razão
Que o acaso de sermos justifique,
Eis o que dói, talvez no coração.
José Saramago, in: "Os Poemas Possíveis"

quarta-feira, 16 de outubro de 2013


 


"...assim é que a vida deve ser, quando um desanima, o outro agarra-se às próprias tripas e faz delas coração"  José Saramago.  In A Caverna

terça-feira, 18 de junho de 2013

"Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro."

José Saramago

domingo, 9 de junho de 2013

INVENTÁRIO

De que sedas se fizeram os teus dedos,
De que marfim as tuas coxas lisas,
De que alturas chegou ao teu andar
A graça de camurça com que pisas.
-
De que amoras maduras se espremeu
O gosto acidulado do teu seio,
De que Índias o bambu da tua cinta,
O oiro dos teus olhos, donde veio.
-
A que balanço de onda vais buscar
A linha serpentina dos quadris,
Onde nasce a frescura dessa fonte
Que sai da tua boca quando ris.
-
De que bosques marinhos se soltou
A folha de coral das tuas portas,
Que perfume te anuncia quando vens

 Cercar-me de desejo a horas mortas. 


JOSÉ SARAMAGO, in OS POEMAS POSSÍVEIS

quarta-feira, 29 de maio de 2013

 



"Os caminhos não estão feitos, é andando que cada um de nós faz o seu próprio caminho." - José Saramago

terça-feira, 28 de maio de 2013

"Para mim o mundo é uma espécie de enigma constantemente renovado. Cada vez que o olho estou sempre a ver as coisas pela primeira vez. O mundo tem muito mais para me dizer do que aquilo que sou capaz de entender. Daí que me tenha de abrir a um entendimento sem baías, de forma que tudo caiba nele."

José Saramago, O Jornal, Janeiro de 1983.

domingo, 14 de abril de 2013



Eu luminoso não sou

Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d'água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.
José Saramago

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. É muito comum ouvir-se dizer da boca de políticos recém-instalados que a impaciência é contra-revolucionária. Talvez seja, talvez, mas eu inclino-me a pensar que, pelo contrário, muitas revoluções se perderam por demasiada paciência. Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias." Jose Saramago

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

"O que dá o verdadeiro sentido ao encontro é a busca,
e é preciso andar muito para se alcançar o que está perto."

José Saramago

sábado, 18 de agosto de 2012

Caminho

Há mentiras de mais e compromissos
(Poemas são palavras recompostas)
E por tantas perguntas sem respostas

Mascara-se a verdade com postiços.

Não vida, nem sombra, nem razão,
É jaula de doidice furiosa,
Eriçada de gritos, angulosa,
Com estilhaços de vidro pelo chão.

E carrego de mais esta jornada
E protestos não servem, nem suores,
Já mordidos os membros de tremores,
Já vencida a bandeira e arrastada.

Depois se me apagaram os amores
Que a viagem fizeram desejada.

JOSE SARAMAGO

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Não há nada mais triste que uma ausência (...), só fica uma pungente melancolia, esta que faz (...) sentar ao cravo e tocar um pouco, quase nada, apenas passando os dedos pelas teclas como se estivessem olhando um rosto quando já as palavras foram ditas ou são de menos."

Saramago

domingo, 25 de setembro de 2011

"[...] os motivos, de que adiantaria falar de motivos, às vezes basta um só, outras vezes nem juntando todos [...]"


[José Saramago in "A Jangada de Pedra"]

quinta-feira, 21 de abril de 2011


"O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende o coletivo. Levamos já dois mil anos dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros,para ver se assim tem mais eficácia. Porque o amor não é suficiente."

[José Saramago]

segunda-feira, 21 de março de 2011

No Dia Mundial da Poesia aplausos aos poetas



Há-de haver

Há-de haver uma cor por descobrir,
Um juntar de palavras escondido,
Há-de haver uma chave para abrir
A porta deste muro desmedido.

Há-de haver uma ilha mais ao sul,
Uma corda mais tensa e ressoante,
Outro mar que nade noutro azul,
Outra altura de voz que melhor cante.

Poesia tardia que não chegas
A dizer nem metade do que sabes:
Não calas, quando podes, nem renegas
Este corpo de acaso em que não cabes.

José Saramago, in Os Poemas Possíveis

sexta-feira, 17 de setembro de 2010


"Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas. Felizmente, graças à inesgotável generosidade da imaginação, cá vamos suprindo as faltas, preenchendo as lacunas o melhor que se pode, rompendo passagens em becos sem saída e que sem saída irão continuar, inventando chaves para abrir portas órfãs de fechadura ou que nunca tiveram."

José Saramago In: Viagem do Elefante.

sábado, 19 de junho de 2010


"...é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada ato nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-los, para congratular-nos, ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade que tanto se fala..."

Jose Saramago In: Ensaio Sobre a Cegueira


José de Sousa Saramago (1922 - 2010) a literatura perde um de seus grandes ícones, e nós o prazer de desfrutar de suas obras.