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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Resultado de imagem para vestido branco de gazePeço a bênção da vida!!
Acordei de madrugada desejando ter um vestido branco. E seria de gaze. Era um desejo intenso e lúcido. Acho que era a minha inocência que nunca parou. Alguns, bem sei, já até me disseram, me acham perigosa.. Mas também sou inocente. A vontade de me vestir de branco foi o que sempre me salvou. Sei, e talvez só eu e alguns saibam, que se tenho perigo tenho também uma pureza. E ela só é perigosa para quem tem perigo dentro de si. A pureza de que falo é límpida: até as coisas ruins a gente aceita. E tem um gosto de vestido branco de gaze. Talvez eu nunca venha a tê-lo, mas é como se tivesse, de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta. Também quero um vestido preto porque me deixa mais clara e faz minha pureza sobressair. É mesmo pureza? O que é primitivo é pureza. O que é espontâneo é pureza. O que é ruim é pureza? Não sei, sei que às vezes a raiz do que é ruim é uma pureza que não pôde ser.
Acordei de madrugada com tanta intensidade por um vestido branco de gaze, que abri meu guarda-roupa. Tinha um branco, de pano grosso e decote arredondado. Grossura é pureza? Uma coisa sei: amor, por mais violento, é.
E eis que de repente agora mesmo vi que não sou pura.

Clarice Lispector in A Descoberta do mundo: crônicas


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

"É bom. Sobretudo porque a mulher sabe que está sendo bom para ele: é depois de grandes jornadas e de grandes lutas que ele enfim compreende que precisa se ajoelhar diante da mulher. E, depois, é bom porque a cabeça do homem fica perto dos joelhos da mulher e perto de suas mãos, no seu colo, que é sua parte mais quente. E ela pode fazer o seu melhor gesto: nas mãos, que ficam a um tempo frementes e firmes, pegar aquela cabeça cansada que é fruto entre seu e dela."

(Clarice Lispector)

sábado, 17 de maio de 2014

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

"O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio pleno que se estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre!”.

. Clarice Lispector in De amor e amizade .

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Clarcieando



"Eu gosto tanto de ouvir os pingos de minutos do tempo assim: tic-tac-tic-tac-tic-tac."
 Clarice Lispector in: A Hora da Estrela

domingo, 29 de setembro de 2013

Clariceando

"Mas existe um grande, o maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho." Clarice Lispector in: A cidade sitiada

sexta-feira, 6 de setembro de 2013


" É de manhã. O mundo está alegre como um circo desvalido.(...). Tenho que inventar meu caminho e me aconchego em viver da imaginação". Clarice lispector in: Um sopro de vida

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Clariceando

“Quanto à moça, ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem melhor. Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando."
Clarice Lispector in: A  Hora da Estrela

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

De repente - não, não de repente, nada é de repente nela, tudo parece uma continuação do silêncio.
Clarice Lispector in: "A descoberta do mundo" 
"De repente - não, não de repente, nada é de repente nela, tudo parece uma continuação do silêncio.   "                                Clarice Lispector in: "A descoberta do mundo"

sábado, 17 de agosto de 2013


“As coisas estavam de algum modo tão boas que podiam se tornar muito ruins porque o que amadurece plenamente pode apodrecer.”
Clarice Lispector in: A Hora da Estrela

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

“As coisas estavam de algum modo tão boas que podiam se tornar muito ruins porque o que amadurece plenamente pode apodrecer.” Clarice Lispector in: A Hora da Estrela

sábado, 27 de julho de 2013

“É que “quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.” Clarice Lispector in: A hora da Estrela

domingo, 21 de julho de 2013

Clariceando

 



“... e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte.” Clarice Lispector in: A hora da estrela

sexta-feira, 19 de julho de 2013






“A pessoa de quem vou falar é tão tola que às vezes sorri para os outros na rua. Ninguém lhe responde ao sorriso porque nem ao menos a olham.” Clarice Lispector in: A hora da estrela

terça-feira, 16 de julho de 2013

Clariceando

"...quem eu sou, você só vai perceber quando olhar nos meus olhos, ou melhor, além deles..."

- Clarice Lispector

quarta-feira, 3 de julho de 2013

clariceando

" Hoje varri o terraço das plantas. Como é bom mexer nas coisas deste mundo: nas folhas secas, no pólen das coisas (a poeira é filha das coisas). Meu cotidiano é muito enfeitado."
Clarice Lispector in: Um sopro de vida

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.
Clarice Lispector in: "Felicidade clandestina"-


domingo, 23 de junho de 2013

Clariceando

"Ah, como, mas como andamos.
Poeira nas sandálias, nenhum destino."

(Clarice Lispector, in: A Descoberta do Mundo)