Clarice Lispector In: Água Viva
Um cadim de tudo que gosto, música, literatura, fotografia e outras coisinhas que me fazem feliz....
sábado, 5 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Quintanares!
Um ano tem 365 dias – ou seja, 8.760 horas. Não é enganoso não, são oito mil setecentas e sessenta horas.
Deduzam-se oito horas por dia de sono. Agora deduzam-se cinco dias de trabalho por semana, a oito horas por dia, durante 49 semanas (descontando, digamos, um mínimo de duas semanas de férias, e mais uns sete dias de feriado). Deduza duas horas diárias empregadas em condução, para quem mora longe do local de trabalho.
Nessa base sobram-lhe 1.930 horas por ano. Mil novecentas e trinta horas para se fazer o que se quiser, ou puder. A vida é mais longa do que a fazemos. Cada instante conta.”
Clarice LispectorIn: Aprendendo a viver
Clariceando
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Roseando...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"Teu aniversário, no escuro,
não se comemora.
Escusa de levar-te esta gravata.
Já não tens roupa, nem precisas.
Numa toalha no espaço há o jantar,
mas teu jantar é o silêncio, tua fome não come.
Não mais te peço a mão enrugada
para beijar-lhe as veias grossas.
Nem procuro nos olhos esfriados
aquela interrogação: está chegando?
Em verdade paras te de fazer anos.
Não envelheces. O último retrato
vale para sempre. É um homem cansado
mas fiel: carteira de identidade.
Tua imobilidade é perfeita. Embora a chuva,
o desconforto deste chão. Mas sempre amaste
o duro, o relento, a falta. O frio sente-se
em "mim, que te visito. Em ti, a calma.(...)"
Carlos Drumond de Andrade in: A rosa do povo
domingo, 30 de outubro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011

Dia Nacional do Livro: 29 de outubro. Foi nesse dia, em 1810, que a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, quando então foi fundada a Biblioteca Nacional e esta data escolhida para o DIA NACIONAL DO LIVRO.
O Brasil passou a editar livros a partir de 1808 quando D.João VI fundou a Imprensa Régia e o primeiro livro editado foi "MARÍLIA DE DIRCEU", de Tomás Antônio Gonzaga.
Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela, Graças à minha Estrela!
Tomás Antonio Gonzaga In: Marilia de Dirceu
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
"Quando eu morrer não me chores,Deixo a vida sem sodade;
- Mandu sarará,
Tive pro pai o desterro,
Por mãe a infelicidade,
- Mandu sarará ...
Papai chegou e me disse:
- Não hás de ter um amor!
- Mandu sarará,
Mamãe veio e me botou
Um colar feito de dor,
- Mandu sarará ...
Que o tatu prepare a cova
Dos seus dentes desdentados,
- Mandu sarará ...
Para o mais desinfeliz
De todos os desgraçados,
- Mandu sarará ..."
Mario de Andrade In: Macunaíma
(…)O tempo presente e o tempo passadoEstão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade,
Num mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo das galerias que não percorremos
Em direção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras
Em tua lembrança.
Mas com que fim
Perturbam elas a poeira sobre uma taça de pétalas,
Não sei.
(…)
T.S.Eliot In: Quatro Quartetos
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
criei bichos-de-seda em velhas caixas:
ofício repugnante, que eu amava.
Lembro a inquietação dos vermes, lembro a trama
dos fios, lembro o medo
que chamava lá da escada.
Hoje, num sotão mais noturno,
no último degrau dos meus terrores,
deito-me no pó entre os meus anjos
amortalhados em caixas vazias,
junto da cadeira alta, com as roupas
com que na infância mefingi rainha.
Nela senta-se a Dona dos Enigmas
e me recobre com os fios grudentos
que vão sesoltando deseus olhos.
Lya Luft
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