"...Não me arrumo para a poesia do desencanto nem me apronto para o tempo do amor certo, inalcançável. Amar é cotidiano. "
Priscila Rõde in: Para que fiques
Um cadim de tudo que gosto, música, literatura, fotografia e outras coisinhas que me fazem feliz....
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Quintanares
"Preste
atenção, o mundo não é cruel. Claro, tem muita gente má, mas tem
milhares de almas lindas e limpinhas por aí. Almas que acolhem almas,
que cuidam, que alimentam a vida da gente de forma doce, suave. Acredite
na doçura das pessoas, seja verdadeiro, ame com garra, tenha compaixão
daqueles que respiram ódio e transpiram ingratidão.." Ju Fuzettoterça-feira, 10 de setembro de 2013
Arnaldo Jabor
Há um nome que nos estremece,
como quando se corta a flor
e a árvore se torce e padece.
Há um nome que alguém pronuncia
sem qualquer alegria ou dor,
e que em nós, é dor e alegria.
Um nome que brilha e que passa,
que nos corta em puro esplendor,
que nos deixa em cinza e desgraça.
Nele se acaba a nossa vida,
porque é o nome total do amor
em forma obscura e dolorida.
Há um nome levado no vento.
Palavra. Pequeno rumor
entre a eternidade e o momento.
Cecília Meireles
como quando se corta a flor
e a árvore se torce e padece.
Há um nome que alguém pronuncia
sem qualquer alegria ou dor,
e que em nós, é dor e alegria.
Um nome que brilha e que passa,
que nos corta em puro esplendor,
que nos deixa em cinza e desgraça.
Nele se acaba a nossa vida,
porque é o nome total do amor
em forma obscura e dolorida.
Há um nome levado no vento.
Palavra. Pequeno rumor
entre a eternidade e o momento.
Cecília Meireles
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
"oxalá estejam limpasas roupas brancas de sexta
as roupas brancas da cesta
oxalá teu dia de festa
cesta cheia
feito uma lua
toda feita de lua cheia
no branco
lindo
teu amor
teu ódio
tremeluzindo
se manifesta
tua pompa
tanta festa
tanta roupa
na cesta
cheia
de sexta
oxalá estejam limpas
as roupas brancas de sexta
oxalá teu dia de festa"
Paulo Leminsky...
domingo, 1 de setembro de 2013
Quintanares
"Pensam que estou dormindo. Mas, do meu velívolo,
eu avisto a cidade.
Em cada janela acesa (umas poucas)
um poeta, noite alta, poetando...
Tu dirás que imagino as coisas loucas!
Mas era assim nos tempos da primeira mocidade...Pouso
lá na torre da igreja.
Imobilizo-me.
Vês?
(ou estarei apenas sonhando que faço um poema?)"
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
O Prazer de Ser

Já não quero ser grande, forte, inatingível.
quero ser, por hora, de um tamanho que
eu ainda me reconheça, que ainda saiba
me encontrar no passado ou um dia no futuro.
Quero ser humana, quero ser carne e osso,
quero sentir, quero tocar... quero poder
ser isso que sou na medida qualquer do tempo,
estar sempre pronta a me recompor das tempestades;
Não devo estar tão errada...
Há tanta água no oceano que se deixa evaporar
pelo único prazer de voltar a ser uma gota de chuva.
Cáh Morandi
Já não quero ser grande, forte, inatingível.
quero ser, por hora, de um tamanho que
eu ainda me reconheça, que ainda saiba
me encontrar no passado ou um dia no futuro.
Quero ser humana, quero ser carne e osso,
quero sentir, quero tocar... quero poder
ser isso que sou na medida qualquer do tempo,
estar sempre pronta a me recompor das tempestades;
Não devo estar tão errada...
Há tanta água no oceano que se deixa evaporar
pelo único prazer de voltar a ser uma gota de chuva.
Cáh Morandi
Clariceando
“Quanto
à moça, ela vive num limbo impessoal, sem alcançar o pior nem melhor.
Ela somente vive, inspirando e expirando, inspirando e expirando."
Clarice Lispector in: A Hora da Estrela
Clarice Lispector in: A Hora da Estrela
domingo, 25 de agosto de 2013
"Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes
dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os
lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom
jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos
acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela.Não me importo em
estar assim despojada, só quero me sentir o máximo bem que puder,
embora seja improvável isso acontecer em uma noite de sexta, quando o
fim de semana chega e você não tem ninguém. Ninguém que vá te abraçar
enquanto a chuva cai lá fora. Ninguém que vá acalmar a tempestade que
acontece dentro de você. Ninguém que vá te dar a mão quando você tem
tanto receio de estar sozinha. Ninguém que ficaria ali, de graça,
deitado ao teu lado escutando os trovões. Por um instante você pensa que
isso é tão triste, que isso pode ser tão miserável e o amor parece ser
uma esmola que você pede em troca de um sorriso, por mais falso que isso
pareça. Frágil, o barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da
lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro. Você tem medo,
porque você vê que tem tanta lágrima por dentro, escondida, calada,
tímida e um dia chuvoso e frio é tão pouco comparado a tudo que você
esconde atrás de um rosto discretamente limpo e doce."
Cah Morandi
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
Três cachôrra da mulesta,
Eu vi, num dia de festa,
No lugá Puxinanã.
A mais véia, a mais ribusta,
Era mêrmo uma tentação!
Mimosa flô do sertão,
Qui o pôvo chamava Ogusta.
A sigunda, a Guiléimina,
Tinha uns ói que ô! Mardição!
Matava quarqué cristão
Os oiá dessa minina!
Os ói dela, paricia
Duas istrêla tremendo,
Se apagando e se acendendo
Im noite de ventania.
A Tercêra, era a Maroca.
Cum côipo munto má feito.
Mas porém, tinha, nos peito
Dois cuscús de mandioca.
Dois cuscús, qui, prú capricho,
Quando éla passou prú eu,
Minhas venta se acendeu
Cum o chêro vindo dos bicho!
Eu inté, mi atrapaiáva,
Sem sabê das três irmã
Que eu vi im Puxinanã,
Quá éra a qui mi agradáva...
Iscuiendo a minha cruz
Prá saí dêsse imbaráço,
Desejei morrê nos bráço,
Da dona dos dois cuscús!!!
ZÉ DA LUZ
"Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome , pergunto o que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."
Patativa do Assaré
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que a linda cabocla
De riso na boca zomba no sofrer
Não nego meu sangue, não nego meu nome
Olho para a fome , pergunto o que há ?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará."
Patativa do Assaré
O guardador de rebanhos
Eu nunca guardei rebanhos,Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
Mãe é tudo igual, só muda de endereço.
Não concordo 100% com essa afirmação, mas é verdade que nós, mães,
temos lá nossas semelhanças. Basta reunir uma meia-dúzia num recinto
fechado para se comprovar que, quando o assunto é filho, as experiências
são praticamente xerox umas das outras.
Por outro lado, quem
arriscaria dizer que pai é tudo farinha do mesmo saco? Nunca foram
devidamente valorizados, nunca receberam cartilhas de conduta e sempre
passaram longe da santificação. Cada pai foi feito à imagem e semelhança
de si mesmo.
As meninas, assim
que nascem, já são tratadas como pequenas "nossas senhoras" e começam a
ser catequizadas: "Mãe, um dia você vai ser uma". E dá-lhe informação,
incentivo e receitas de como se sair bem no papel. Outro dia, vi uma
menina de não mais de três anos empurrando um carrinho de bebê com uma
boneca dentro. Já era uma mini mãe. Os meninos, ao contrário, só pensam
nisso quando chega a hora, e aí acontece o que se vê: todo pai é fruto
de um delicioso improviso.
Tem pai que é desligado de nascença,
coloca o filho no mundo e acha que o destino pode se encarregar do
resto. Ou é o oposto: completamente ansioso, assim que o bebê nasce já
trata de sumir com as mesas de quinas pontiagudas e de instalar rede em
todas as janelas, e vá convencê-lo de que falta um ano para a criança
começar a caminhar.
Tem pai que solta dinheiro fácil. E pai que
fecha a carteira com cadeado. Tem pai que está sempre em casa, e
outros, nunca. Tem pai que vive rodeado de amigos e pai que não sabe o
que fazer com suas horas de folga. Tem aqueles que participam de todas
as reuniões do colégio e outros que não fazem ideia do nome da
professora. Tem pai que é uma geleia, e uns que a gente nunca viu chorar
na vida. Pai fechado, pai moleque, pai sumido, pai onipresente. Pai que
nos sustenta e pai que é sustentado por nós. Que mora longe, que mora
em outra casa, pai que tem outra família, e pai que não desgruda, não
sai de perto jamais. Tem pai que sabe como gerenciar uma firma,
construir um prédio, consertar o motor de um carro, mas não sabe direito
como ser pai, já que não foi treinado, ninguém lhe deu um manual de
instruções. Ser pai é o legítimo "faça você mesmo".
Alguns
preferem não arriscar e simplesmente obedecem suas mulheres, que têm
mestrado e doutorado no assunto. Mas os que educam e participam da vida
dos filhos a seu modo é que perpetuam o charme desta raça fascinante e
autêntica. Verdade seja dita: há muitas como sua mãe, mas ninguém é como
seu pai.
Martha Medeiros
sábado, 10 de agosto de 2013
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
O Cão Sem Plumas
A cidade é passada pelo riocomo uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.
O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.
Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.
Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.
(João Cabral de Melo Neto)
sábado, 27 de julho de 2013
Eu nasci para estar calado. Minha única vocação é o silêncio. Foi meu pai que me explicou: tenho inclinação para não falar, um talento para apurar silêncios. Escrevo bem, silêncios, no plural. Sim, porque não há um único silêncio. E todo o silêncio é música em estado de gravidez.
Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.
MIA COUTO, in: JESUSALÉM
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Aceitação
É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens
e sentir passar as estrelas
do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
e assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas,
que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
o sinal de uma eterna esperança.
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
nem tu.
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
e sentir passar as estrelas
do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceano
e assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas,
que desejar que apareças, criando com teu simples gesto
o sinal de uma eterna esperança.
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar,
nem tu.
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
Cecília Meireles in : Viagem
Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada.
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.
(Raimundo Correia)
Poema Sujo
turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro
menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma?
claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica
e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha
que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor
e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo
(não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
(, de Ferreira Gullar in: Poema Sujo).
terça-feira, 23 de julho de 2013
A MÁQUINA DO MUNDO
E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas
lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,
a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.
Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável
pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar
toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.
Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera
e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,
convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,
assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,
a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de
teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,
olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,
essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo
se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”
As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge
distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos
e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber
no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,
e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:
e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,
tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.
Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,
a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;
como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face
que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,
passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes
em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,
baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.
A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,
se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.
domingo, 21 de julho de 2013
sábado, 20 de julho de 2013
Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?
A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.
A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.
DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in OBRA POÉTICA
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?
A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.
A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.
DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in OBRA POÉTICA
sexta-feira, 19 de julho de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
''Trabalhamos, compramos, vendemos e
construímos relações sociais; discorremos sobre política, economia e
ciências, mas no fundo somos meninos brincando no teatro da existência,
sem poder alcançar sua complexidade. Escrevemos milhões de livros
e os armazenamos em imensas bibliotecas, mas somos apenas crianças. Não
sabemos quase nada sobre o que somos. Somos bilhões de meninos que, por
décadas a fio, brincam neste deslumbrante planeta."
[Augusto Cury]
[Augusto Cury]
terça-feira, 16 de julho de 2013

Cavalgada
num grande galope,
num ritmo bravio,
para onde acena a tua mão.
Pelas suas ondas revoltas,
seguem desesperadamente
todas as minhas estrelas soltas,
com a máxima cintilação.
Ouve, no tumulto sombrio,
passar a torrente fantástica!
E, na luta da luz com as trevas,
todos os sonhos que me levas,
dize, ao menos, para onde vão!
num ritmo bravio,
para onde acena a tua mão.
Pelas suas ondas revoltas,
seguem desesperadamente
todas as minhas estrelas soltas,
com a máxima cintilação.
Ouve, no tumulto sombrio,
passar a torrente fantástica!
E, na luta da luz com as trevas,
todos os sonhos que me levas,
dize, ao menos, para onde vão!
Cecília Meireles in: Viagem
Clariceando
domingo, 14 de julho de 2013
...(eu quero amor antes do café da manhã)começo a perder a fé, as forças,
o mundo explode a cada segundo
e o céu desaba em minha cabeça;
eu não sei por qual caminho
você tem escolhido seguir,
mas sinto nossas mãos se
distanciando mais e mais;
não grite, não fale,
não minta sobre as coisas
que você não pode sentir;
não acredite nesse sentimento
que você não tem por mim.
Cáh Morandi in: - O amor se apaga (fragmento)
sexta-feira, 12 de julho de 2013
"Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos." Martha Medeiros
Hoje vou tomar um pileque...
Hoje vou dizer o que sinto, mesmo que isso me aparte das presenças de quem eu sempre desejei. Hoje, digo adeus ao frio que inconsequente congela meu querer. Hoje, faço a gentileza de me pertencer.” Ita Portugal
quarta-feira, 10 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Julho
"Ele
veio tímido, querendo se encaixar nos farelos de Junho, entrou pela
porta da frente, congelou as rosas lá do jardim e descongelou alguns
sentimentos que o outono teimava em aninhar.
E julho trouxe verão pro meu coração, trouxe luz para meus olhos, trouxe fé na bandeja e distribuiu sonhos novos.
Inverno de paz! A quentura do menino Julho é bem maior que seu assustador potencial para esfriar as mãos e a ponta do nariz.
Não se importou com a falta de quentura do sol, pois preparou um
acolchoado de felicidade pra aninhar pessoas, pra juntar corações e
agregar compaixão.
Que Julho renove a esperança daqueles que andam
descobertos pela incerteza do não querer, do não sentir. E que todos
possamos nos beneficiar da melhor das estações.
É tempo de aquecer,
tempo de abraçar. Que Julho nos envolva no agasalho do amor. Que o
inverno da estação não se aplique no peito. Que seja verão na alma, nos
olhos e no coração.
Que seja verão, meu bem, pra gente, pro mundo. Verão em pleno inverno é questão de deixar se aquecer.
Eu te aqueço e tu me aqueces e o resto fica tudo bem.”
(Ju Fuzetto)
quarta-feira, 3 de julho de 2013
clariceando
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