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sábado, 18 de dezembro de 2010

Clariceando


"Gostava de sentir o tempo passar. Embora não tivesse relógio, ou por isso mesmo, gozava o grande tempo. Era supersônica de vida."
Clarice Lispector In: A hora da estrela

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mais um selinho


Mais um selinho vindo do Pequenas Epifanias, obrigada Ana!

" - Luares... Viajando toda-a-lua. Enlagoado de luar: o senhor só tem saudade dele é mesmo com ele à mão, na abundância...
- Luz-me, lua! - bênção..."
João Guimarães Rosa In: No Urubuquaquá, no Pinhém

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010


"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez. "
Caio Fernando Abreu

domingo, 12 de dezembro de 2010


"(...)todos os relógios estão parados, não sei se é ontem, se hoje ou amanhã, se é sempre, se nunca mais, estou solta aqui, completamente só, não há relógios, não há relógios e o tempo avança liberto, sem fronteiras nem limitações, uma bola de arame farpado, o sentimento vai se adensando em mim, transborda dos olhos, das mãos, sai pela boca em forma de fumaça, sinto meus lábios ressequidos, machucados, o gosto amargo, a bola cresce estendendo tentáculos, no meio dela eu me encolho cada vez mais, presa num círculo que cresce até explodir na vontade contida de gritar bem alto, bem fundo, rouca, exausta, correndo, esmagando as folhas de um outro outono, de um outro tempo, ainda este, o tempo, o outono, a tarde, o mundo, a esfera, a espera em que estou para sempre presa." Caio Fernando Abreu


" ... estou percebendo uma realidade enviesada. Vista por um corte oblíquo. Só agora pressenti o oblíquo da vida. Antes só via através de cortes retos e paralelos. Não percebia o sonso traço enviesado." clarice lispector In: Agua Viva


“Composição Clara”, Wassily Kandinsky)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"Se meus olhos fossem câmeras cinematográficas eu não veria chuvas nem estrelas nem lua, teria que construir chuvas, inventar luas, arquitetar estrelas. Mas meus olhos são feitos de retinas, não de lentes, e neles cabem todas as chuvas estrelas lua que vejo todos os dias todas as noites."
[Caio Fernando Abreu In: O mar mais longe que eu vejo, INVENTÁRIO DO IR-REMEDIÁVEL]




Imagem capturada no Google
"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio."
Gabriel Garcia Marques In: Memórias de minhas putas tristes

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010


"...A memória tem sempre essa tendência otimista de filtrar as lembranças más para deixar só o verde, o vivo. Antigamente, sempre era melhor, ainda que não fosse. Talvez porque já esteja, lá, tudo solucionado e a gente possa se ver, no tempo, como quem vê uma personagem num livro ou filme: aconteça o que acontecer, há um fim definido, predeterminado. Essa espécie de improvisação do agora, do que está sendo moldado, causa muito mais angústia. Não temos, como no samba, a menor idéia de como será o amanhã."
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

(...)— onde quer que você esteja, meu príncipe, em qualquer região da minha mente, no mínimo interstício, na fímbria do pensamento, frincha da memória, dobra da fantasia, faixa vibratória passada presente futura, aqui vou eu ao seu encontro, meu bem amado."
Caio Fernando Abreu In: Ovelhas negras


"Bons tempos aqueles, pensei. Acendi um cigarro. E não tomei nenhuma dessas atitudes, dramáticas como se em algum canto houvesse sempre uma câmera cinematográfica à minha espreita. Ou Deus. Sem juiz nem platéia, sem close nem zoom, fiquei ali parado no começo da tarde escaldante de fevereiro, olhando o telefone que acabara e desligar. Nem sequer fiz o sinal da cruz ou levantei os olhos para o céu. O mínimo, suponho, que um sujeito tem a obrigação de fazer nesses casos, mesmo sem nenhuma fé, como se reagisse a uma espécie de reflexo condicionado místico."
Caio Fernando Abre In: Onde andará Dulce Veiga
"








Imagem capturada no Google

"Não ficou nenhuma prova - nada te posso garantir - eu sou a única prova de mim." Clarice Lispector In: Para não esquecer.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010



"Sabe, às vezes, eu me lembro de coisas assim, de muitas coisas, como essa da menina - como se houvesse uma parte de mim que não envelheceu e que guardou. Guardou tudo, até o príncipe que um dia não veio mais. Não, não foi um dia que ele não veio mais, foram muitos dias, em muitos dias ele não veio mais, a água do mar salgava a nossa boca, o sol queimava a minha pele, eu tinha impressão de ser de couro, um couro ressecado, mal curtido. (..) Não sei, não sei até hoje se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas as coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construia um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo."
Caio Fernando Abreu

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

CECÍLIA MEIRELES

“(...) Hoje estou melancólica e suspirosa, choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças, bóiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem, pois não as perderei. O rio é dentro de mim”.
Adélia Prado

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"E me dá saudade irracional de você. Uma vontade de chegar perto, de só chegar perto, te olhar sem dizer nada, talvez recitar livros, quem sabe só olhar estrelas… dizer que te considero – pode ser por mais um mês, por mais um ano, ou quem sabe por uma vida – e que hoje, só por hoje ou a partir de hoje (de ontem, de sempre e de nunca), é sincero"
Caio Fernando Abreu
Devolve

Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi

Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci

Devolve, eu peço, por favor
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci

Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti.

Mario Lago

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

Mario Quintana

domingo, 5 de dezembro de 2010

Clariceando

“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”Clarice Lispector In: Aprendendo a viver


Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso
Jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas
Passado, presente
Participo sendo
O mistério do planeta

O tríplice mistério do stop
Que eu passo como sendo ele
No que fica em cada um
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez, que assistiu,
Abra um parêntese, não se esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas
Mas ando e penso sempre
Com mais de um
Por isso ninguém vê minha sacola

sábado, 4 de dezembro de 2010


- Vocês se amaram?
- Ela me amou. Foi a única criatura que...- Fez um gesto. – Enfim não tem importância.
Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o
- Eu gostei de você, Ricardo.
- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença?

VENHA VER O PÔR DO SOL - conto de Lygia Fagundes Telles

"Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de deus. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena. Basta o essencial!"
Rubem Alves

"Conto o que fui e vi, no levantar do dia. Auroras. ..."
Guimaráes Rosa In: Grande Sertão Veredas

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


"Lutei toda a minha vida contra a tendência ao devaneio, sempre sem jamais deixar que ele me levasse até as últimas águas. Mas o esforço de nadar contra a doce corrente tira parte de minha força vital. E, se lutando contra o devaneio, ganho no domínio da ação, perco interiormente uma coisa muito suave de se ser e que nada substitui. Mas um dia ainda hei de ir, sem me importar para onde o ir me levará."
Clarice Lispector In: A descoberta do mundo


Imagem capturada no google

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


" eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta."
Clarice Lispector In:
A bela e a fera
.

"Me dá notícias. Se encontrar um daqueles telefones, ligo qualquer noite (...) Sinto saudade, ando meio só. Um beijo, cem beijos"
Caio Fernando Abre
u

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


"Eu gostaria de ir embora para uma cidade qualquer, bem longe daqui, onde ninguém me conhecesse, onde não me tratassem com consideração apenas por eu ser “o filho de fulano” ou “o neto de beltrano”. Onde eu pudesse experimentar por mim mesmo as minhas asas para descobrir, enfim, se elas são realmente fortes como imagino. E se não forem, mesmo que quebrassem ao primeiro vôo, mesmo que após um certo tempo eu voltasse derrotado, ferido, humilhado - mesmo assim restaria o consolo de ter descoberto que valho o que sou."
Caio Fernando Abreu In: limite branco

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


"De que são feitos os dias?
De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças"
Cecília Meireles

domingo, 28 de novembro de 2010

"Estou dormindo. E embora pareça contradição, suavemente o prazer de estar me acorda num sobressalto também suave. Estou acordada e ainda sinto gosto daquela zona rural onde subsolarmente eu espalhava as minhas raízes, os tentáculos de um sonho."
Clarice Lispector

"... Já não sabia o que era sentir falta de alguém,
já não sabia o que era querer ver um rosto
e não conseguir respirar por causa disso,
sabia como era sentir,
mas não sabia o que sentia de fato."

José Luis Peixoto

sexta-feira, 26 de novembro de 2010


"Sinto que viver é inevitável. Posso na primavera ficar horas sentada fumando, apenas sendo. Ser às vezes sangra. Mas não há como não sangrar pois é no sangue que sinto a primavera. Dói. A primavera me dá coisas. Dá do que viver. E sinto que um dia na primavera é que vou morrer. De amor pungente e coração enfraquecido"
Clarice Lispector In: A descoberta do mundo

"Ai que dor: que dor sentida e portuguesa de Fernando Pessoa - muito mais sábio -, que nunca caiu nessas ciladas. Pois como já dizia Drummond, "o amor car(o,a,) colega esse não consola nunca de núncaras". E apesar de tudo eu penso sim, eu digo sim, eu que sins."
Caio Fernando Abreu In: Pequenas Epifanias



Imagem de kurt-halsey

quinta-feira, 25 de novembro de 2010


"No centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo!' Guimarães Rosa In: Grande Sertão Veredas





Imagem capturada no Google

quarta-feira, 24 de novembro de 2010


O LAÇO E O ABRAÇO


Meu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor e a amizade são isso... Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
Um laço bem bonito aos meus amigos queridos!!!
Mário Quintana

segunda-feira, 22 de novembro de 2010



"Estou tentando abrir um túnel na rocha bruta. Eu sei, sei que é penoso. Mas qual é a busca que em si mesma não traga sua pena?" Clarice Lispector

domingo, 21 de novembro de 2010


"Mas - sei, sabes, sabemos - as uvas talvez custem demais a amadurecer. E quase não temos tempo..."
Caio Fernando Abreu In: Morangos Mofados

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


"...a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão
para haver são demais de muitas, muito maiores diferentes, e a
gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total".
Guimarães Rosa In:Grande Sertão: vereda
s



"reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc.... que, em suma, demonstrem a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras e as suas palavras. Estes selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web”
Este é mais um carinho vindo http://pequenasepifaniaseoutrosdevaneios.blogspot.com/ obrigada Ana
.

Compartilho esse carinho com:

http://ceciliameireles2009.blogspot.com/
http://encantaventos.blogspot.com/
http://wwwantesqueeuesqueca.blogspot.com/
http://outrodiaoutracor.blogspot.com/

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"... Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos".Caio Fernando Abreu

terça-feira, 16 de novembro de 2010


"A gente mal nasce e começa a morrer..." Toquinho


"Tudo aquilo que eu esquecia ou negava, soube vagamente em plena queda, era o que eu mais era."
Caio Fernando Abreu In: Onde andará Dulce Veiga

segunda-feira, 15 de novembro de 2010


"A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar."

Caio Fernando Abreu
."
"Eu te odeio´, disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. ´Eu te odeio´, disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?" Clarice lispector In: Laços de Familia

domingo, 14 de novembro de 2010


"A vida não tem ensaio
mas tem novas chances
Viva a burilação eterna, a possibilidade:
o esmeril dos dissabores!
Abaixo o estéril arrependimento
a duração inútil dos rancores
Um brinde ao que está sempre nas nossas mãos:
a vida inédita pela frente
e a virgindade dos dias que virão!"

Elisa Lucinda In: Eu te Amo e Suas Estréia
"


"Mas se eu tiver nos olhos
Uma luz bonita
Fica comigo
E me faz feliz" Cazuza

sábado, 13 de novembro de 2010



"Olho tudo isso que vejo e não tem outra magia além dessa, a de ser real."
Caio Fernando Abreu
"Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo o mundo é igual. Todo o mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma..."

Manuel Bandeira

"Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste."

Carlos Drummond de Andrade In:Poesia Completa

quinta-feira, 11 de novembro de 2010


"Havia dias assim, em que ela compreendia tão bem e via tanto que terminava numa embriaguez suave e tonta..."
Clarice Lispector In: O Lustre





Imagem capturada no Google

"E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um Sol em mim menor
Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior"
Fernando Aniteli
"Resistimos, aos trancos, já nem sei se foi escolha ou solavanco. Difícil arrancar uma certa lucidez disso tudo. Mas sinto que o coração se depura (é tão antigo falar em coração...) um pouco mais, em cada porrada."
Caio Fernando Abreu In: Caio 3D o essencial da década de 1970

quarta-feira, 10 de novembro de 2010


"No fundo somos tão, tão felizes! Pois não há uma forma única de entrar em contato com a vida, há inclusive as formas negativas! Inclusive as dolorosas, inclusive as quase impossíveis- e tudo isso, tudo isso antes de morrer, tudo isso mesmo enquanto estamos acordados!"

Clarice Lispector In: A paixão segundo G.H

terça-feira, 9 de novembro de 2010




Se as coisas são inatingíveis
Ora...não é motivo para
Não querê-las
Que triste os caminhos
Se não fora a presença
distante das estrelas."

Mário Quintana

"Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água."

Álvaro de Campos