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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Livrai-me de toda mágoa que me impede de sorrir, todas as más intenções que me impedem de seguir. Dos maus pensamentos que tiram a paz, das más palavras que levam ao caos. Dos maus corações. Das más sensações. Tudo o que aqui dentro fizer mal. E que assim eu me faça, livre da falta de fé. Da falta de sonhos. Da falta de PAZ. Livrai-me de tudo que me prende. De tudo o que ofende a minha liberdade de ser. E de sentir."
Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 12 de maio de 2016

"Eu acho que a gente vive numa época que pede resgates urgentes. A simplicidade, a capacidade de encanto e admiração, o olhar receptivo para se alimentar com belezas aparentemente corriqueiras, precisam ser também prioridade. Não há mundo novo sem respeito ao melhor do antigo."
(Ana Jácomo)

terça-feira, 1 de março de 2016

Venha!
Venha uma pura alegria
Que não tenha
Nem a senha
Nem o dia!
Abra-se a porta da vida
Sem se perguntar quem é!
E cada qual que decida
Se quer a alma aquecida
No lume da nova fé.
(Miguel Torga)

domingo, 7 de junho de 2015

"Quero deixar bem claro que a única coisa que existe para mim é a juventude, tudo o mais é besteira, lantejoulas, vidrilho. Posso fazer duas mil plásticas e não resolve, no fundo é a mesma bosta, só existe a juventude. Ele era a minha juventude, só que naquele tempo eu não sabia, na hora a gente nunca sabe nem pode mesmo saber, fica tudo natural como o dia que sucede à noite, com o Sol, a Lua, eu era jovem e não pensava nisso como não pensava em respirar. Alguém por acaso fica atento ao ato de respirar? Fica, sim, mas quando a respiração se esculhamba. Então dá aquela tristeza, puxa eu respirava tão bem..."

(Lygia Fagundes Telles - Apenas um saxofone)

sábado, 6 de junho de 2015

Resultado de imagem para andorinha a voar“ Vem comigo cismar risonho e grave…
A poesia-é uma luz… e a alma-uma ave…
Querem - trevas e ar.
A andorinha, que é a alma - pede o campo.
A poesia quer sombra-é o pirilampo…
P’ra voar… p’ra brilhar.”

Castro Alves in " Espumas flutuantes "

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!...

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos". 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

“Uma nuvem não sabe por que se move em tal direção e em tal velocidade; sente um impulso... é para este lugar que devo ir agora. Mas o céu sabe os motivos e desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá, quando se erguer o suficiente para ver além dos horizontes.”
Richard Bach

terça-feira, 26 de maio de 2015

"Ter você nu na cama 
que deleite. 
E como a gente brinca 
e rola e ri 
para depois sentar 
nos lençóis descompostos
o corpo ainda suado
e continuando sempre
o mesmo jogo
falar a sério
de literatura.

Te beijo no cangote
e quieta penso:
um outro amante assim
Senhor
que trabalho terias
pra me arrumar
se me tomasses este."

(Marina Colasanti - Entre um jogo e outro)

segunda-feira, 25 de maio de 2015


Resultado de imagem para frida kahlo"Quase bonita, ela tinha pequenos defeitos que só faziam aumentar seu magnetismo. Suas sobrancelhas formavam uma única linha ao longo da testa e sua boca sensual era encimada pela sombra de um buço. Seus olhos eram negros e amendoados, ligeiramente inclinados para cima nas extremidades. As pessoas que a conheciam bem diziam que a inteligência e o humor de Frida brilhavam naqueles olhos; dizem também que os olhos revelavam seu estado de ânimo: devorador, fascinante, sedutor, cético, desmoralizante ou destruidor. E na franqueza de seu olhar fixo havia algo que fazia com que seus interlocutores se sentissem desmascarados, como se estivessem sob a vigilância atenta de uma jaguatirica."

Hayden Herrera, "Frida definitiva: a biografia"

sábado, 23 de maio de 2015

"(...) Aquilo a que muita gente chama amar consiste em escolher uma mulher e casar com ela. Escolhem, juro, já os vi. Como se se pudesse escolher no amor, como se amar não fosse um raio que quebra os ossos e nos deixa paralisados no meio do pátio. Tu dirás que eles escolhem porque-a-amam; creio que é o contrário. Não se pode escolher Beatriz, não se pode escolher Julieta. Não podemos escolher a chuva que nos vai encharcar até os ossos quando saímos de um concerto.”

Julio Cortázar, O Jogo da Amarelinha.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

BB King - The Thrill Is Gone



Hoje todas as guitarras do mundo choram em tributo ao grande rei...

Today all the guitars are crying in tribute of the big king...
+PAx...
Resultado de imagem para vestido branco de gazePeço a bênção da vida!!
Acordei de madrugada desejando ter um vestido branco. E seria de gaze. Era um desejo intenso e lúcido. Acho que era a minha inocência que nunca parou. Alguns, bem sei, já até me disseram, me acham perigosa.. Mas também sou inocente. A vontade de me vestir de branco foi o que sempre me salvou. Sei, e talvez só eu e alguns saibam, que se tenho perigo tenho também uma pureza. E ela só é perigosa para quem tem perigo dentro de si. A pureza de que falo é límpida: até as coisas ruins a gente aceita. E tem um gosto de vestido branco de gaze. Talvez eu nunca venha a tê-lo, mas é como se tivesse, de tal modo se aprende a viver com o que tanto falta. Também quero um vestido preto porque me deixa mais clara e faz minha pureza sobressair. É mesmo pureza? O que é primitivo é pureza. O que é espontâneo é pureza. O que é ruim é pureza? Não sei, sei que às vezes a raiz do que é ruim é uma pureza que não pôde ser.
Acordei de madrugada com tanta intensidade por um vestido branco de gaze, que abri meu guarda-roupa. Tinha um branco, de pano grosso e decote arredondado. Grossura é pureza? Uma coisa sei: amor, por mais violento, é.
E eis que de repente agora mesmo vi que não sou pura.

Clarice Lispector in A Descoberta do mundo: crônicas


Adeus a BB King, com a justa homenagem de quem entende do cortado.
Texto de Mauricio Winckler Perdomo:
"Tenho lembranças que não consigo datar de um tempo em que era muito criança. Tão vivas, como se tivessem acabado de acontecer.
Minha mãe era estudante de letras e tinha, além de mim, um irmão mais velho. Meu pai era um comerciante. Nesta época e eu me lembro de ter que passar muitos dias sem vê-lo. Tínhamos como ajudante uma senhora que me lembro de atender pelo nome de dona Fia. Me recordo de ir para a casa dela e ficar a maior parte do dia sob seus cuidados. Me lembro de gostar da comida que ela fazia. Era muito simples, arroz feijão, um guisado e uma salada. Lembro do olhar terno maternal e dos conselhos da velha senhora de pele bem enrugada e mãos calejadas. Lembro do tipo de afeto que desenvolvi por ela ser especial , e guardo no meu coração este afeto e respeito que nunca mais esquecerei. Somente mais tarde, tomei consciência de quem era ela, uma ajudante ou babá que minha mãe havia contratado para auxiliar enquanto ela ia concluir seu curso de letras e se tornar professora.
Fui uma criança difícil, todos em minha família afirmam, e minhas lembranças endossam esta afirmação. Sempre tive problemas para me encaixar em grupos sociais ou obedecer regras. Fui muito brigão, apanhei muito por ser assim. Mas quando me lembro de dona Fia, só consigo ter boas recordações dos olhares doces, risadas rasgadas apesar de contidas, abraços fraternos e respeito mútuo. Foi uma convivência especial, a nossa.
Depois de certa idade, durante a adolescência , quando me apaixonei por música, depois de um breve período em que escolhi dentre todas as opções disponíveis no interior de Minas nos anos 80, sem nenhuma influência significativa por parte de minha família, o rock como meu ritmo preferido e alvo de minhas primeiras experiências já como um músico precoce. Ouvia o que me era disponível e comecei a colecionar os primeiros vinis. Também muito precocemente, por volta dos 17 anos, percebi que o rock era um sub produto, e fui em direção a raiz do mesmo. Quando tive contato com o Blues, pude perceber o porquê de minha predileção ter acontecido, mesmo sem ter tido nenhuma justificativa dentro de minha família. E um dos primeiros que me fizeram perceber isso, talvez pela sua grande popularidade, foi o grande BB. King.
Lembro da primeira vez que vi um vídeo dele. Seu solo e suas feições me remeteram diretamente pra dentro da casa de dona Fia. Sua guitarra me soava como a voz dela a me dar conselhos e seu olhar, cheio de dor e esperança , me enchiam de algo que não consigo explicar. Mais tarde, tive a chance de vê-lo ao vivo nos Estados Unidos, onde assisti a seu show por honestos 50 dólares. Um show feito para americanos. Neste dia, ele me repassou essa mesma impressão que havia tido por toda vida. Hoje sou um imitador dele e de mais 100 grandes nomes deste estilo que me cativou pela simplicidade e pela verdade nele contida. Foi um grande mestre. Assim como dona Fia. E me sinto bem em ter aprendido tanto com ambos.
E espero um dia poder reencontrá-los no lugar que seus olhares profundos refletiam a Paz."

domingo, 3 de maio de 2015

"Então, um belo dia, comecei a escrever, sem saber que me acorrentara para o resto da vida a um amo nobre mas impiedoso. Deus, quando nos dá um talento, também nos entrega um chicote, a ser usado especialmente na autoflagelação."

Truman Capote. Trecho do prefácio de "Música para camaleões"
"Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo. Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas. (...) Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."

Trecho de "O filho de mil homens", de Valter Hugo Mãe

sábado, 25 de abril de 2015

“Eu sou uma pessoa excitável que só entende a vida liricamente, musicalmente, em quem sentimentos são muito mais fortes que a razão. Eu estou tão sedenta para o maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que eu não possa transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir. Realidade não me impressiona. Eu só acredito em intoxicação, em êxtase, e quando a vida ordinária me algemar, eu escapo, de uma maneira ou de outra. Nenhum muro mais.”

Anaïs Nin
"Já que e preciso aceitar a vida, que seja então corajosamente ." Lígia Fagundes Telles

sábado, 28 de março de 2015

Resultado de imagem para menininha.... " A menininha que há fui olha para mim como se eu fosse uma verdade metafísica. Não sou. Talvez ela é que tenha sido, mas não tem importância , porque uma coisa e' certa , e essa eu conto a ela: não fiquei só sentada ouvindo as histórias dos outros ...Fui e vivi. E tenho tido tanta coisa para contar... " Solange Maia