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quarta-feira, 9 de julho de 2014

ODE AOS CAMPEÕES DO MUNDO

               Poema de Manoel Caetano de Mello

Maracanã em 50, anfiteatro da derrota de um povo,
que para ali acorrera a assistir ao embriago dos nossos,
enquanto ouviam no rádio os milhões o correr da[partida
Apoteose transferia nas lágrimas tristes e palmas
aos vencedores e bravos guerreiros da equipe uruguaia

58 de novo nos leva ao calor da disputa
agora em campos molhados da lousa Suécia que encanta
Primeiro a Áustria vencida, depois a Inglaterra não cede,
e o empate premia o poder das esquadras em luta
Foram baldados os esforços dos nossos, a rede está incólume,
porque MacDonald, o arqueiro, os potentes disparos apara

Mas o astucioso Feeola com a Rússia coloca Pelé,
cuja presença agressiva incentiva os dois goals de Vavá
e abre com génio o caminho das redes do arqueiro galês

Por esse tempo a fama dos nossos correra a Europa
e no Brasil outro vinho de vida reanima esta gente
(que não se deixa embriagar, com a lembrança das mágoas passadas

Para a partida com a França Gilmar que ainda era invencível
baqueia aos pés de Fontaine, porém os brasileiros respondem
e no final obtêm a vitória que os francos abate

Vem afinal a partida que o cetro do mundo dará
O adversário ainda invicto é a própria Suécia que encanta
que comparece com o Rei e incentiva os heróis da peleja
e mal começa a partida os- suecos conseguem o objetivo
roas sem desânimo os nossos se lançam à. dura batalha
as flechas correm no campo (em camisas de verde e amarelo

Este é Garrincha que dribla em tropel, o "Manoel Pernas Tortas",
e lança um tiro a Vavá que .acompanha o perfil do horizonte
logo em corrida o avante arremessa e é "gôôôôôl... de Vavá" !
(Ao pé do rádio estes olhos as lágrimas choram com honra

O mesmo lance se segue e outro goal o avante consegue
e os noventa minutos os atletas morenos consagram
O arauto Nelson sob a forma do velho Nesíor justifica
essa conquista dos louros mundiais: "De Didi não pendia
a camiseta dos outros, mas via-o vestido de manto
de imperador etíope de rancho em passeio triunfal".

Glória a Santos, o Nilton, o Djalma, e Orlando, e Zagalo,
Vavá, Garrincha, Gilmar, e Pele, o dos chutes alados,
Zito, Didi e Hideraldo Bellini, o domador de cavalos,
e aos outros todos que antes com alma também porfiaram
ou construíram o espetáculo com amor, pelos seus bastidores


São os heróis brasileiros que deram-nos esta vitória
que foi gerada entretanto nas dores do Maracanã


                                                                     Rio, 1958

FUTEBOL

Futebol se joga no estádio? 
Futebol se joga na praia, 
futebol se joga na rua, 
futebol se joga na alma. 
A bola é a mesma: forma sacra 
para craques e pernas-de-pau. 
Mesma a volúpia de chutar 
na delirante copa-mundo 
ou no árido espaço do morro.
 São vôos de estátuas súbitas,
 desenhos feéricos, bailados 
de pés e troncos entrançados. 
Instantes lúdicos: flutua 
o jogador, gravado no ar 
— afinal, o corpo triunfante 
da triste lei da gravidade.

         In Poesia errante

DE UM JOGADOR BRASILEIRO
A UM TÉCNICO ESPANHOL

         João Cabral de Melo Neto

Não é a bola alguma carta
que se leva de casa em casa:

é antes telegrama que vai
de onde o atiram ao onde cai.

Parado, o brasileiro a faz
ir onde há-de, sem leva e traz;

com aritméticas de circo
ele a faz ir onde é preciso;

em telegrama, que é sem tempo
ele a faz ir ao mais extremo.

Não corre: ele sabe que a bola,
Telegrama, mais que corre voa.
AOS ATLETAS

                    Carlos Drummond de Andrade
 
Os poetas haviam composto suas odes
para saudar atletas vencedores.
A conquista brilhava entre dois toques.
Era frágil e grácil
fazer da glória ancila de nós todos.
Hoje,
manuscritos picados em soluço
chovem do terraço chuva de irrisão.
Mas eu, poeta da derrota, me levanto
sem revolta e sem pranto
para saudar os atletas vencidos.
Que importa hajam perdido?
Que importa o não-ter-sido?
Que me importa uma taça por três vezes,
se duas a provei para sentir,
coleante, n.o fundo, o malicioso
Mercúrio de sua perda no futuro?

É preciso xingar o Gordo e o Magro?
E o médico e o treinador e o massagista?
Que vil tristeza, essa
a espalhar-se em rancor, e não em canto
ao capricho dos deuses e da bola
que brinca no gramado
em contínua promessa
e fez um anjo e faz um ogre de Feola?

Nem valia ter ganho
a esquiva copa
e dar a volta olímpica no estádio
se fosse para tê-la em nossa copa
ternamente prenda de família
a inscrever no inventário
na coluna de mitos e baixelas
que à vizinhança humilha,
quando a taça tem asas, e, voando,
no jogo livre e sempre novo que se aprende,
a este e aquele vai-se derramando.

Oi, meu flavo canarinho,
capricha nesse trilo
tanto mais doce quanto mais tranquilo
onde estiver Bellini ou Jairzinho,
o engenhoso Tostão, o sempre Djalma Santos,
e Pele e Gilmar,
qualquer dos que em Britânia conheceram
depois da hora radiosa
a hora dura do esporte,
sem a qual não há prémio que conforte,
pois perder é tocar alguma coisa
mais além da vitória, é encontrar-se
naquele ponto onde começa tudo
a nascer do perdido, lentamente.

Canta, canta, canarinho,
a sorte lançada entre
o laboratório de erros
e o labirinto de surpresas,
canta o conhecimento do limite,
a madura experiência a brotar da rota esperança.

Nem heróis argivos nem párias,
voltam os homens — estropiados
mas lúcidos, na justa dimensão.
Souvenirs na bagagem misturados:
o dia-sim, o dia-não.
O dia-nâo completa o dia-sim
na perfeita medalha. Hoje completos
sáo os atletas que saúdo:
nas mãos vazias eles trazem tudo
que dobra a fortaleza da alma forte.

                              24 de julho de 1966.
UM DIA APÓS O OUTRO

Poema de Leonardo Araújo

Aos quarenta e cinco do segundo tempo
o goleiro vencido, a bola, sempre faceira,
resvala na trava e não entra (todos vêem),
e você diz: "porra, hoje não é meu dia!"
Mas, de repente, ela volta, amiga e redonda,
o goleiro ainda no chão, você bate de novo, altivo,
a bola vai, descreve um belo arco, a rede acolhe,
e você diz: "que gol lingo, porra, mereço!"

Fora do jogo, quando você menos esperqa,
um raio piedoso cai bem ao seu lado
e você, inerte, nada diz (ninguém vê).
Passado o susto, você cai em si e diz,
"esse bateu na trave, porra, que sorte!"
E você segue, nem alegre nem triste,
como se nada tivesse acontecido<
mas com um crto vazio (ou alívio) no peito.


Extraído de :  ADRIANO MENEZES et al... Belo Horizonte: Scriptum, 2010.
SOLUÇÃO

Poema de Carlos Drummond de Andrade


O papagaio atleticano
não vai calar o gol do Galo,
e não é justo nenhum plano
que tenha em mira silenciá-lo.

Evitem, pois, brigas forenses.
Outro projeto, mais certeiro,
aqui proponho aos cruzeirenses:

É ensinar: "Gol do Cruzeiro"

a um papagaio de igual força.
Haja, entre os dois, uma peleja
em que cada mineiro torça,
e, entre foguetes e cerveja,

o papagaio vitorioso
proclamado seja campeão
desse grato esporte verboso
de que sente falta a nação.

(Jornal do Brasil, 23/09/1972) 

SONETO PARA O JOGO BRUTO

         Glauco Matttoso

Zagueiro violento, ele é batata:
carrinhos dá por trás, empurra, soca...
Feliz foi o cronista que o retrata:
"pega, em cada enxadada, uma minhoca".

Se falha a marcação com que combata
um ótimo atacante, ele já troca
o jogo limpo pelo pau da pata...
Quem é que, à sua frente, não pipoca?

Caído o centroavante, mete a chanca
na cara do coitado e, na retranca,
seu time vai mantendo o resultado...

Placar que não saiu do zero a zero
e, como falta um árbitro severo,
bem alto o zagueirão ergue o solado...
CANTIGA DO REI PELÉ

  Poema de Affonso Ávila

na era do rei que ainda o é
tudo ao redor dava pé
surfava-se alta maré
subia em bolsa o café
do bolso moeda ao sopé
bahia jorrava e-
tróleo água chovia até
no sertão do canindé
rodovias hidrelé-
tricas eram cré em cré
são bernadro santo andré
da indústria o melhor filé
erguiam em comtrape-
lo aos corvos e à mà fé
no cerrado a fincapé
um sorridente pajé
construía a nova sé
sem servidão ou galé
empregado qualquer zé
tinha onde pôr o boné
prosa de rosa poe-
sia bossa nova re-
finavam toque de axé
mas da galera o evoé
era a alegria do fute-
bol o gol de placa o olé
drible curto de mané
nos johns e o rei da sué-
cia aplaudindo o caburé
milico deu golpe eh eh
pau comeu com chipanzé
depois fodeu a ralé
falastrão com rapapé
ao dos banqueiros curé
fez a globo fricassé
da cultura e a marcha-à-ré
tomou conta do terre-
no traficante à libré
corrupção apagão atché!
agora é ir-se à galilé
da matriz de são josé
e rezar a deus maomé
a outros cultos de javé
ou mesmo no candomblé
que voltem sorriso e fé
ao reino do rei pelé

Extraído de :  ADRIANO MENEZES et al... Belo Horizonte: Scriptum, 2010.
INSTALAÇÃO NA SQS 408

Poema de Angélica Torres Lima

Enforcado um rato
num galho de ipê
com fita
verde-amarela:

era o dois
do sete
de dois mil
e seis:

Parreira de viúvas
do passo torto
(sem Garrincha perto)
agora rói do fracasso
o osso.

Pobre zagueiro
artilheiro
pobre goleiro...
todos te querem
golaço colosso!

02.07.2006
A SELEÇÃO

Poema de Carlos Drummond de Andrade

Vai Rildo, não vai Amarildo?
Vão Pelé e, que bom. Mané,
o menino gaúcho Alcino
e nosso veterano Dino,
Altair, rima de Oldair,
ecoando na ponta: Ivair,
e na quadra do gol: Valdir.
Fábio, o que não pode faltar,
e também não pode Gilmar,
como, entre os santos dos santos,
o patriarca Djalma Santos,
sem esquecer o Djalma Dias
e, entre mil e uma noites, Dias.
Mas se a Comissão não se zanga,
quero ver, em Everton, Manga.
É canhoto, e daí? Fefeu,
quando chuta, nunca perdeu.
A chance que lhe foi roubada,
desta vez a tenha Parada.
Paraná, invicto guerreiro
para guerrear como aqui, lá.
Olhando pró chão, Jairzinho
é como joga legalzinho.
Não abro mão de Nado e Zito,
nem fique o Brito por não dito.
Ditão, é claro, por que não?
e o mineiríssimo Tostão,
o grande Silva, corintiana
glória e mais o áspero Fontana,
Dudu, Edu... e vou juntando
bons nomes ao nome de Orlando,
para chegar até Bellini
em cujas mãos a taça tine.
Célio, Servílio: suaves eles
já completados por Fidélis.
Edson, Denilson e Murilo,
cada um com seu próprio estilo.
Um lugar para Paulo Henrique
enquanto digo a Flávio: fique!
Com Paulo Borges bem na ponta
eu conto, e sei que você conta.
Na lateral, Carlos Alberto
estou certo que vai dar certo.
Acham tampinha Ubirajara?
Valor não se mede por vara.
Até parece de encomenda:
Leônidas, nome que é legenda.
E se Gérson do Botafogo
entra no campo, ganha o jogo.
Não podia esquecer o Lima
e seu chute de muita estima.
Com tudo isso e mais Rinaldo
e o canarinho de Ziraldo,
quarenta e seis, se conto bem
— um time igual eu nunca vi
em Europa, França e Belém —
que barbada seria o Tri,
hein?

(Correio da Manhã, 03-04-1966)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

" Também a arte é uma maneira de viver, e é possível se preparar para ela de uma maneira ou de outra."

Rainer Maria Rilke
Me Encante 

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!


(Pablo Neruda)
ARTE POÉTICA

Mirar o rio, que é de tempo e água,
E recordar que o tempo é outro rio,
Saber que nos perdemos como o rio
E que passam os rostos como a água.

E sentir que a vigília é outro sonho
Que sonha não sonhar, sentir que a morte,
Que a nossa carne teme, é essa morte
De cada noite, que se chama sonho.

E ver no dia ou ver no ano um símbolo
Desses dias do homem, de seus anos,
E converter o ultraje desses anos
Em uma música, um rumor e um símbolo.

E ver na morte o sonho, e ver no ocaso
Um triste ouro, e assim é a poesia,
Que é imortal e pobre. A poesia
Retorna como a aurora e o ocaso.

Ás vezes, pelas tardes, uma face
Nos observa do fundo de um espelho;
A arte deve ser como esse espelho
Que nos revela nossa própria face.

Contam que Ulisses, farto de prodígios,
Chorou de amor ao avistar sua Ítaca
Humilde e verde. A arte é essa Ítaca
De um eterno verdor, não de prodígios.

Também é como o rio interminável
Que passa e fica e que é cristal de um mesmo
Heráclito inconstante que é o mesmo
E é outro, como o rio interminável.

Jorge Luis Borges

segunda-feira, 16 de junho de 2014

VANDALUZ - (1) Filosofia de Revolver "DVD Release"

POEMA DO DIA: um dia tentei mudar o mundo, de repente mudei com ele tudo, na medida da minha humilde fração ! Agora, : quando a dor do mundo grita ao meu coração, meu afeto por ele sussurra uma canção !
Vane Pimentel

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O NOSSO

Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que já foi arredores
Os antigos que não nos decepcionaram mais
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler.
A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro.
Os mais velhos com quem não conseguiríamos
conversar durante um quarto de hora.
As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido.
Os idiomas que mal deciframos.
Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito.
Os amigos que não podem faltar porque já morreram.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa.
O xadrez e a álgebra, que não sei.

Jorge Luis Borges

segunda-feira, 9 de junho de 2014

"Contei meus anos e descobrí que terei menos tempo para viver
daquí para frente do que já viví até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras ele chupou displicente, mas percebendo que falta poucas
rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando
seus lugares e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis , para discutir assuntos inúteis
sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas , que apesar da idade
cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos, que brigaram pelo majestoso cargo de
secretário geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa
Sem muitas jabuticabas na bacia , quero viver ao lado de gente humana, muito humana,
que saiba rir de seus tropeços, não se encanta com os triunfos, não se considera
eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E PARA MIM ,BASTA O ESSENCIAL."
"Mário de Andrade"

sábado, 7 de junho de 2014

"Lamento que o abraço esteja em desuso numa época em que a gente precisa tanto Um do Outro. Em que a gente precisa tanto sentir o Outro." Bibiana Benites

domingo, 1 de junho de 2014

"Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."             
Fernando Pessoa
"Na melhor das hipóteses eu sou a sucessão de erros tentando acertar. Então, não procure perfeição em mim. Não me faça cobranças. Se há algo a olhar, as cicatrizes representam as minhas sinceras tentativas para tornar-me melhor."  Ita Portugal